WITCHER
“Öröklét”
No saturado universo do Black Metal Atmosférico, poucas bandas conseguem criar um som que seja simultaneamente um refúgio e uma tempestade. Os húngaros WitcheR são mestres dessa arte. Com "Öröklét" (Eternidade), o duo não se limita a construir paisagens sonoras; eles criam ecossistemas inteiros, onde a beleza melancólica da natureza e a aspereza do tormento interior coexistem numa harmonia selvagem e arrepiante.
A jornada começa com "Örökség" (Herança), e a assinatura da banda manifesta-se de imediato. Não há aqui uma agressão gratuita. Em vez disso, somos imersos numa tapeçaria de riffs hipnóticos e repetitivos que, tal como a chuva ou o vento, não precisam de mudar para nos transformar. A voz gutural, cantada em húngaro, funciona menos como um ataque e mais como o murmúrio de um espírito antigo da floresta, narrando segredos que a terra se recusa a esquecer.
O que eleva "Öröklét" acima dos seus pares é a sua mestria na dualidade. Faixas como "Szélhozó" (Portador do Vento) combinam melodias de teclado de uma simplicidade quase folclórica com uma base rítmica implacável e guitarras que soam a granito a ser erodido pelo tempo. É nesta tensão que a magia acontece. A música dos WitcheR não é apenas sobre a beleza da natureza; é sobre a sua crueldade. A melodia é a flor que nasce, o blast beat é a geada que a reclama.
A escolha de encerrar o álbum com uma cover de Schubert, "Piano Trio No. 2", é a peça final deste puzzle. Longe de ser um mero adereço, esta peça clássica, integrada no fluxo do álbum, funciona como o silêncio depois da tempestade, provando que a melancolia e a beleza que a banda explora não pertencem a um género, mas à própria condição humana. "Öröklét" não é um álbum para ouvintes impacientes. É uma obra que não grita, mas sussurra segredos antigos, e os WitcheR provam que dominam o seu ofício na sua forma mais pura e evocativa.
Avaliação
A Equipa Portal Metal
9.0/10
A Minha Avaliação
9.5/10
O som da própria terra a contar as suas histórias mais sombrias.