O Festival Vilar de Mouros já foi um altar sagrado do rock e do metal, um lugar de peregrinação para quem queria sentir o peso da música. Hoje? Transformou-se num palanque de propaganda barata. Em 2026, a organização e certas bandas decidiram que a música não interessa para nada e transformaram o palco num autêntico comício político. Pagamos bilhete para ouvir riffs ou para levar com lavagem cerebral?
DE TEMPLO DO METAL A CIRCO POLÍTICO
Para quem tem memória e sangue na guelra, o Vilar de Mouros do início dos anos 2000 era um verdadeiro templo. Falamos de edições brutais que faziam a terra tremer. Nomes como Iron Maiden (2000 ), Megadeth (2001), Rammstein (2002), Sepultura e HIM (2003), além de Cradle of Filth e Moonspell, rasgaram aquele palco. As pessoas viajavam de todo o país para abanar a cabeça, partir o pescoço e viver a música na sua forma mais pura e visceral.
Com o passar do tempo, o cartaz foi amolecendo. Aceitámos a mudança de sonoridades, aceitámos o indie e o pop-rock. Mas o que aconteceu na edição de 2026 é um insulto inaceitável a quem paga o seu bilhete. Esquecemos a música e entrámos por caminhos pantanosos que metem nojo a qualquer fã de música ao vivo.
A MÚSICA NÃO É O VOSSO COMÍCIO!
No primeiro dia do festival, a banda punk britânica Lambrini Girls subiu ao palco e decidiu cagar de alto na música para fazer campanha. O duo exibiu nos ecrãs mensagens políticas nojentas e diretas, escarrapachando um "Fuck Chega" a letras garrafais, instigando o público a gritar palavras de ordem, e desfilando bandeiras e mensagens sobre a Palestina, o Congo e o Sudão.
A pergunta que tem de ser feita a plenos pulmões é: como é possível um festival histórico alinhar com esta merda?
O Portal Metal é perentório e não pede desculpa a ninguém: somos completamente contra esta palhaçada. O público trabalha o mês inteiro, junta os seus trocos e paga um bilhete para ouvir música, para se libertar da podridão do dia a dia. Não paga para ser alvo de doutrinação barata nem para assistir a comícios de ativistas disfarçados de músicos.
A música tem força por si só. Quando as bandas e as organizações são coniventes com esta mistura de águas, estão a cuspir na cara de quem os apoia. O palco é para tocar, para suar e para deitar a casa abaixo com som. Querem fazer política? Vão para a porta da Assembleia da República. Deixem a porra da música em paz!