
Boa tarde a todos, e bem-vindos a esta entrevista muito especial. Hoje, temos o privilégio de reunir membros da banda madeirense Wintternal, que, embora atualmente esteja em inatividade, deixou uma marca indelével no cenário musical da Madeira
Portal
Metal: Como surgiu a ideia de formar a banda em 2007 ou 2008? O que
vos inspirou a começar?
Wintternal: Na altura eu (Antonio,
Vocalista) tinha começado a tocar guitarra e conheci a Cláudia (Baterista) na
escola e ela convidou-me para ir tocar com ela e com o vizinho dela, que era o
Pedro (Guitarrista). Eles já costumavam tocar juntos ao fim de semana e eu
acabei por me juntar e inicialmente era só pela piada, e não era suposto eu
sequer cantar até porque nunca tinha cantado. Eu tentava cantar algo mais
melódico mas eles convenceram-me a aprender a fazer gutural, muitos vídeos
online depois começámos a tentar compor. Bandas como Lamb Of God, Metallica,
Machine Head entre muitas outras eram as bandas que nós ouvíamos e que nos
inspiravam e levavam a querer evoluir nos nossos instrumentos para “termos
músicas como as deles”.
Portal Metal: Podem contar-nos mais sobre a
mudança de nome de Silver Bullets para Wintternal? O que motivou essa decisão?
Wintternal: Sejamos honestos Silver Bullets
era um nome muito mau e queríamos um nome que procurando no Google não haveria
nada que aparecesse sem sermos nós. Eu a Cláudia e o Pedro num ensaio começámos
a fazer um brainstorm de possíveis ideias de nome. Como a onda das músicas era
sempre algo mais introspectivo e frio pensámos em juntar duas palavras “Winter”
e “Eternal”, daí sair Wintternal. Que até hoje ainda nos sentimos orgulhosos
dessas junção de palavras! Muito melhor que Silver Bullets.
Portal Metal: Quais eram as vossas funções
na banda no início e como evoluíram ao longo dos anos?
Wintternal: A dinâmica da banda sempre foi
muito orgânica, era uma das coisas que gostava mais, como éramos todos muito
amigos e o à vontade entre todos era bastante, as “tarefas” e as decisões eram
todas igualmente divididas entre todos. A compor, quando alguém trazia uma ideia
era sempre no âmbito de mostrar num ensaio e todos juntos esquartejávamos a
ideia até ter alguma coisa ou muitas vezes juntávamos a outra ideia que havia.
Todos opinavam e experimentavam.
Portal Metal: Poderiam partilhar a vossa
experiência no Dolce Vita Band Casting e como isso afetou o vosso percurso
musical?
Wintternal: Na altura foi o momento alto da
nossa vida musical. O Júri era o Fernando Ribeiro dos Moonspell, a Sónia Tavares
dos The Gift e o Produtor Madeirense Luís Jardim. Portanto para, na altura, três
miúdos completamente verdes em palco serem avaliados em palco em frente a um
público e a este painel de jurados foi um momento que até hoje ainda sinto a
marca. Foi graças a eles que depois trouxemos o João Fernandes (Baixista) para a
banda e foi com ele que fomos até à final do concurso lado a lado com uma das
nossas bandas favoritas Madeirenses, os Karnak Seti. O feedback positivo que
tivemos durante o concurso gerou muita mais vontade de criar mais música e de
dar mais concertos.
Portal Metal: Quando e como o João Fernandes
se juntou à banda como baixista?
Wintternal: O João juntou-se a nós,
durante o Dolce Vita Band Casting que depois de passarmos à semi final foi-nos
sugerido pelo júri arranjar um baixista para trazer o peso ao nosso. Lembro-me
da Cláudia sugerir o João que era alguém que ela já conhecia e ele aprendeu as
nossas músicas todas na altura em apenas em alguns dias para tocar connosco na
semi final e depois na final.
Lembro-me também da nossa reação a finalmente ouvir as nossas músicas roçadas
com baixo em ensaio, do nada tinha uma força que não sabíamos que precisávamos,
isto só porque segundo de demonstração do quão verdinhos nós éramos, nunca
tínhamos achado até então que era necessário ter um baixista na banda. A malta
que toca baixa merece muito mais amor do que recebe!
Portal Metal: O vosso primeiro EP, "The
Monologue," continha músicas que já tinham antes e outras feitas com o quarteto
completo. Como foi o processo de criação dessas novas músicas?
Wintternal: Tenho ideia que fizemos alguns
melhoramentos a músicas que já tínhamos é que queríamos incluir no EP e tanto
essas como as outras foram feitas da mesma maneira de sempre, nós os quatro na
garagem em casa da Cláudia a tocar até à exaustão e a experimentar riffs e solos
e a perceber o que para nós funcionava melhor! Até às letras eram escritas em
conjunto. Era um processo mesmo enriquecedor, quatro miúdos a juntarem as
cabeças para criarem um “produto”.
Gravámos tudo em minha casa com o equipamento que tinha na altura, abafámos o
quarto com cobertores e edredons e enviámos tudo ao grande Pedro Borges que
misturou e masterizou o EP todo. Tudo durante umas férias de verão porque já eu
e a Cláudia estávamos no continente a estudar.
Portal Metal: Qual foi o último concerto da
banda e em que ano aconteceu?
Wintternal: O Último concerto que demos foi
no Metal XL no bar Poncha XL no Funchal em 2013. Fomos convidados para tocar
nesse evento juntamente com outras bandas da altura, Psychological Pain, Thorns
Of Asylum, entre outros. Na altura foi a primeira vez que tocámos ao vivo depois
de lançarmos o EP e foi incrível saber de várias pessoas que lá foram para nos
ver porque tinham gostado de ouvir o EP “The Monologue”.
Portal Metal: Qual foi o vosso primeiro
concerto e onde aconteceu? Como foi a experiência de tocar ao lado de outras
bandas locais?
Wintternal: O nosso primeiro concerto foi no
Rocks no Caniço shopping que para nós e vário pessoal da altura, era o sítio
ideal para ir tocar. Era onde iam as bandas locais todas tocar. Portanto receber
esse convite para lá tocar foi um momento de êxtase, principalmente sendo um
concerto que para nós foi lendário, porque era o concerto de despedida de uma
banda que adorávamos que eram os Exordya e tocámos junto a eles e aos
PinPointing Madness que era já uma banda estabelecida na altura e ainda com
outra banda também a ser estreada que eram os Trap Out.
Como é óbvio estávamos estupidamente nervosos, era a primeira vez que íamos
fazer aquilo à frente de pessoas e ainda para mais eram as pessoas todas ou
praticamente todas da cena do Metal Madeirense da altura, que era uma comunidade
muito forte e unida. Bons tempos!
Portal Metal: A banda não acabou
oficialmente, e mencionaram que poderiam voltar ao ativo. Há planos ou
expectativas para futuras atuações ou novas músicas?
Wintternal: De momento não há planos
nenhuns, não temos qualquer tipo de pressão ou compromisso. Vivemos todos longe
uns dos outros mas felizmente isso hoje não é problema nenhum nem é um obstáculo
significativo para impedir o quer que seja de acontecer.
Nunca se sabe, se voltar a surgir a oportunidade de certeza que vamos tocar nem
que seja só entre nós os quatro para relembrar os bons velhos tempos, ou então
para criar novas músicas talvez para fechar um capítulo.
Chegamos ao final desta conversa
nostálgica com membros da banda madeirense Wintternal, que, embora esteja
atualmente em inatividade, continua a brilhar na memória de muitos de nós. Foi
uma oportunidade incrível revisitar os momentos especiais da carreira da banda e
compreender um pouco mais sobre o que os fez tão únicos.
Gostaríamos de agradecer mais uma vez aos membros da Wintternal por
compartilharem suas histórias e reflexões conosco. É evidente que o legado da
banda continua a tocar os corações de seus fãs e amantes da música, mesmo em seu
período de inatividade.