SOTHORIS

“Domus Omnium Mortuorum”

Capa do álbum Domus Omnium Mortuorum de Sothoris

O metal extremo polaco tem uma reputação a manter, e os SOTHORIS carregam essa tocha com um orgulho profano e uma violência avassaladora. Com o seu terceiro álbum, “Domus Omnium Mortuorum” (A Casa de Todos os Mortos), a banda não se limita a entregar mais um disco de black/death metal. Eles criaram um monumento à maldade humana, uma obra conceptual que é tão inteligente na sua narrativa como é implacável na sua execução. Se a vossa alma se alimenta da brutalidade de Hate ou da blasfémia de Belphegor, então preparem-se para um banquete.

O conceito do álbum é, por si só, arrepiante: baseado num mausoléu vandalizado do século XIX, a música dá voz aos espíritos profanados, que se erguem não para vingança, mas para contar as tragédias das suas vidas. Esta premissa eleva a agressão a um novo patamar. O single "Pro Memoria" é a prova viva disso: blast beats que soam como metralhadoras, riffs cortantes como vidro partido e os vocais de Raven, que narra a história com a fúria de um demónio e a dor de uma alma perdida. A produção de Krzysztof Kostencki é poderosa e nítida, garantindo que nenhum detalhe desta carnificina sónica se perde.

Cada faixa promete ser a voz de um espírito diferente, desde "Byłem Faustem" (Eu Fui Fausto) a "Dzieci Diabła" (Filhos do Diabo), transformando o álbum numa espécie de séance macabra. A banda descreve o seu som como "uma mistura da ferocidade do black metal e do poder do death metal", e não podiam estar mais certos. É um ataque sónico que consegue ser, ao mesmo tempo, caótico e coeso, brutal e atmosférico. O som da porta do mausoléu a fechar-se no final do disco é a promessa de um final de audição que nos deixará em silêncio, a contemplar a escuridão.

“Domus Omnium Mortuorum” perfila-se como o trabalho mais maduro e ambicioso dos Sothoris até à data. É um álbum que exige atenção, que recompensa o ouvinte com uma história sombria e uma execução musical de topo. No panteão do metal extremo polaco, os Sothoris acabam de erguer o seu próprio mausoléu. E é gloriosamente profano.

Avaliação

A Equipa Portal Metal

8.5/10

A Minha Avaliação

9.0/10

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